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Laboratório usa Codex e ChatGPT para buscar novos antibióticos

Equipe de César de la Fuente vasculha genomas vivos e extintos e reduz triagem inicial de moléculas de anos para horas.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A OpenAI publicou em 10 de setembro de 2026 como o bioengenheiro César de la Fuente usa modelos de deep learning, Codex e ChatGPT para extrair candidatos a antimicrobianos de genomas de organismos vivos e extintos. O sistema computacional encurta a busca inicial por moléculas ativas de anos para poucas horas. A iniciativa ataca bactérias, fungos, parasitas e vírus resistentes a medicamentos comerciais. Cerca de cinco milhões de mortes em 2021 tiveram ligação direta com resistência bacteriana. Esse volume anual deve dobrar até 2050.

De la Fuente comanda um laboratório transdisciplinar com profissionais de biologia, química, ciência da computação e engenharia. Ele lembra que a medicina não aprova uma nova classe de antibióticos há 50 anos. "A resistência antimicrobiana é uma das maiores ameaças existenciais à humanidade, na minha opinião", disse o pesquisador. A indústria farmacêutica insiste em modificar remédios conhecidos ou vasculhar classes químicas tradicionais. Essa estratégia rende retornos decrescentes.

Modelos tratam DNA e proteínas como texto

O grupo converteu a biologia molecular em um sistema formal de processamento de informação. "Os nucleotídeos que compõem o DNA e os aminoácidos que compõem proteínas e peptídeos são como um alfabeto", explicou de la Fuente. Modelos próprios de deep learning leem sequências biológicas em bases digitais para localizar padrões que dão origem a moléculas funcionais. O ChatGPT e o Codex atuam na rotina técnica: criam hipóteses, escrevem código, refinam rotinas, processam bases e analisam resultados. Biólogos passam a construir programas próprios e programadores enfrentam problemas biológicos diretamente.

Bancos digitais de genomas e proteínas permitem varrer toda a árvore filogenética da vida em vez de coletar amostras físicas de plantas, animais, insetos, água e solo. Essa abundância de dados gerou um obstáculo matemático, porque apenas uma fração diminuta dos genomas codifica moléculas capazes de combater infecções. O algoritmo resolve essa triagem inicial ao escanear bases massivas e elencar uma lista manejável de candidatos para testes de laboratório. A máquina entrega alvos prioritários em horas.

A bancada física impõe barreiras ao software

A triagem digital da OpenAI não elimina o longo caminho biológico até o paciente. Identificar um peptídeo no computador não garante remédio seguro na farmácia. Cientistas precisam sintetizar a molécula em bancada para checar se ela realmente elimina o micróbio-alvo, qual dose gera resposta e se ataca células humanas. Químicos otimizam a estrutura para elevar estabilidade e segurança. Testes posteriores determinam a dosagem tóxica, a velocidade com que patógenos desenvolvem resistência e a dinâmica de circulação da substância no organismo.

A equipe precisa definir métodos confiáveis de fabricação em escala industrial antes de submeter moléculas a ensaios clínicos e avaliações regulatórias. "Experimentos com dados reais de bancada são essenciais para validar previsões de IA", afirmou de la Fuente. O pesquisador adverte que a biologia segue como a estrutura mais complexa conhecida pela ciência. O anúncio oficial da OpenAI destaca velocidade de código, mas nenhuma molécula sugerida por ChatGPT ou Codex chega aos hospitais sem aprovação clínica tradicional. O gargalo real permanece nos testes com humanos.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias