OpenAI quer desenvolvedores presos à sua infraestrutura e expande Dots
Durante o DevDay Exchange em Berlim, empresa detalhou planos para o assistente Dots e justificou o fim do gerador de vídeos Sora por custos elevados.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A OpenAI anunciou no DevDay Exchange, em Berlim, que o assistente Dots chegará a mais países europeus nas próximas semanas. A empresa revelou que o uso do Codex na Alemanha cresceu 20 vezes desde janeiro de 2026, consolidando a estratégia de forçar desenvolvedores a criarem produtos diretamente na sua infraestrutura. O evento reforçou a prioridade em agentes e ferramentas de codificação, enquanto modelos de vídeo como o Sora permanecem desativados por alto custo operacional.
A OpenAI quer que desenvolvedores construam negócios sobre sua infraestrutura, não apenas sobre seus modelos. Romain Huet, chefe de experiência do desenvolvedor, apresentou a Agents API como o caminho para prender o ecossistema. A promessa é clara: menos trabalho técnico e acesso direto aos 1,2 bilhão de usuários semanais do ChatGPT. O modelo lembra lojas de aplicativos tradicionais, onde o desenvolvedor cria a ferramenta e a OpenAI fornece a infraestrutura e o canal de distribuição.
Manter o Codex Harness de código aberto não altera essa estratégia de retenção. Desenvolvedores podem ler o código e executá-lo por conta própria, mas quem depende de serviços gerenciados, integrações específicas da plataforma e da base de usuários do ChatGPT terá dificuldade em trocar de ecossistema depois. A empresa aposta na dependência para garantir a continuidade dos negócios sobre seus servidores. Esse modelo de "jardim murado" reduz a portabilidade técnica, já que a infraestrutura de agentes é operada pela própria OpenAI, deixando pouco espaço para migração de provedor.
Aposta em agentes e recuo no vídeo
A OpenAI encerrou o gerador de vídeos Sora em março porque os custos de processamento pesavam demais. A gerência afirmou que os clientes demandam modelos de codificação e agentes, e não ferramentas de vídeo. O desenvolvimento de modelos que compreendem sequências de vídeo, como o Gemini do Google, não é prioridade atual porque a demanda dos clientes é baixa. A empresa foca apenas em análise de quadros únicos.
O uso de ferramentas de codificação expandiu além da engenharia de software. Quase um em cada cinco usuários de desktop utiliza o Codex para documentos, apresentações ou planilhas, tratando a ferramenta como suporte para trabalho de escritório. Na Alemanha, o número de usuários ativos semanais do Codex cresceu vinte vezes desde janeiro de 2026. A OpenAI não abriu números absolutos, mas citou o crescimento para validar a adoção da tecnologia.
Disponibilidade e infraestrutura
O assistente Dots deve chegar a mais usuários na Europa em poucas semanas, após conversas com reguladores. O serviço ainda bloqueia contas Personal Pro no Espaço Econômico Europeu, na Suíça e no Reino Unido, embora algumas contas empresariais já tenham acesso liberado. A empresa mantém o cronograma dependente de negociações regulatórias locais.
Para sustentar a operação, a OpenAI enfrenta o desafio de reduzir a carga de CPU. Como os agentes rodam em computadores virtuais próprios e o código gerado por IA cresce rapidamente, a demanda por processamento tradicional dispara. A empresa mantém uma equipe dedicada que varre as bases de código internas semanalmente para otimizar o consumo de recursos. Essa pressão operacional explica, em parte, a priorização de ferramentas de codificação sobre outras funcionalidades mais pesadas, como a geração de vídeo, que exigiria um investimento em hardware que a empresa não considera rentável no momento.
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