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Modelos e LLMs

Gemini usa histórico de assinantes pagantes para treinar IA do Google (717)

Usuários descobrem que pagar não isenta cedência de dados para modelos de linguagem.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

O Google usa histórico de chats do Gemini de assinantes pagantes para treinar seus modelos de IA, sem opção de opt-out. A política, que virou debate no Hacker News com 717 pontos, obriga o usuário a desativar a função Keep Activity — e perder o histórico após 72 horas — para evitar a cedência de dados.

A armadilha do "Keep Activity"

O Google mantém chats por até três anos para revisão humana ou treinamento de IA, desde que o usuário mantenha Keep Activity ativado. A empresa avisa: não insira informações confidenciais. O problema é que desativar essa opção inviabiliza funcionalidades básicas em dispositivos Pixel e apaga o histórico após três dias.

Quem acha que pagar isenta da cedência de dados se surpreende. "Pagar não adianta. Você vira produto mesmo assim", resume a frustração de quem descobriu a política tarde demais. A discussão no Hacker News reuniu 717 pontos em 192 comentários, com apenas cinco coletados no dossiê. O debate expõe uma contradição: o usuário paga para usar uma ferramenta, mas os dados que gera alimentam modelos que competem com serviços gratuitos.

Pixel trava sem cedência de dados

A política de Keep Activity é o gatilho. Com ela ligada, o Google retém chats por até três anos para revisão humana ou treinamento. Desligá-la inviabiliza funcionalidades básicas em dispositivos Pixel. Um usuário relatou que, após desativar a opção, o assistente de voz parou de criar lembretes: "‘Hey Google, lembra às 19h’ — ‘Ok, lembrete criado’. No dia seguinte: ‘Por que não lembrei?’ — ‘Não posso fazer nada sem ativar histórico’."

A divisão no thread mostra dois lados claros. De um lado, quem defende que o controle é ilusório. "Acredite: tudo que você digita — não só envia — pode ser armazenado para sempre e usado para treinar IA quando a empresa quiser, independente de pagamento", alerta 233mhz. Do outro, quem relativiza o risco: "Revisão humana é padrão hoje, inclusive para evitar processos. Reter chats por três anos é para fins legais, não para treinar modelos", argumenta viraptor.

O consenso, entretanto, é mais revelador que as divergências. Todos concordam que a única forma de evitar o uso dos dados é desativar Keep Activity, mesmo que isso implique em perder histórico e funcionalidades. "Mesmo sem treinamento, o Google reserva direito de usar seus dados para melhorar serviços de outras formas", completa fweimer.

O que fica em aberto é se a revisão humana e a retenção por três anos — justificadas por viraptor como medidas legais — de fato protegem o usuário ou apenas maqueiam a extração de dados para IA. Para quem toma decisão técnica, a lição é clara: não existe assinatura premium que isente o usuário de abrir mão de controle sobre seus dados. A escolha é entre aderir ao ecossistema Google com todas as implicações ou viver com histórico efêmero e funcionalidades reduzidas.

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Fonte: Discussão no Hacker News · Como produzimos as matérias