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Schmidt acusa OpenAI e Anthropic de colonialismo tecnológico

Ex-CEO do Google e dois acadêmicos pintam EUA e China como impérios de IA e as duas big techs como Companhias das Índias Orientais.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

Schmidt acusa OpenAI e Anthropic de colonialismo tecnológico
Imagem: Reprodução · The Decoder · licença livre · licença mit

Em 25 de outubro de 2026, o ex-CEO do Google Eric Schmidt, o historiador Niall Ferguson e a pesquisadora Lisa Klaassen publicaram artigo na revista Foreign Affairs acusando OpenAI e Anthropic de operar como “empresas coloniais modernas”. Segundo eles, EUA e China já dividiram o mercado global de IA e o resto do mundo virou dependente. As empresas americanas planejam investir mais de US$ 600 bilhões em IA somente em 2026, cifra que pode chegar a US$ 725 bilhões se somados os aportes de Google, Amazon, Microsoft e Meta.

O artigo sustenta a acusação com leis de escalonamento: quem não tem capital, energia e chips avançados não entra no jogo. Ferguson, Klaassen e Schmidt comparam as duas big techs às Companhias das Índias Orientais, que governavam regiões com exércitos próprios e cartas régias. “A matéria-prima do Congo e os trabalhadores de dados no Quênia ganhando poucos dólares por hora formam a economia de plantation da era dos chatbots”, escreveram.

Em junho de 2026, o Departamento de Comércio dos EUA obrigou a Anthropic a cortar acesso estrangeiro a dois de seus modelos mais capazes. Sem conseguir verificar nacionalidade em tempo real, a empresa fechou Fable 5 e Mythos 5 para todo o mundo. Duas semanas depois, o governo liberou Fable 5, mas Mythos 5 continuou restrito a organizações americanas.

Washington negocia sistemas fechados, Pequim espalha modelos abertos

As duas potências seguem estratégias opostas. Washington oferece tecnologia fechada e cara em troca de alinhamento político. Pequim distribui modelos open-weight para disseminar seus padrões. Os EUA lideram em chatbots por cerca de seis meses. A China lidera em robótica.

TSMC, a 90 milhas da costa chinesa, é o calcanhar de Aquiles

O nó da cadeia global de chips continua em Taiwan. TSMC, o maior fabricante do mundo, fica a 90 milhas da costa chinesa. Novas fábricas nos EUA, Japão e Alemanha devem reduzir a dependência, mas enquanto não operam em escala, o risco persiste.

Os aportes americanos em IA já somam mais de US$ 600 bilhões em 2026, financiados majoritariamente por dívida. Google, Amazon, Microsoft e Meta juntos planejam US$ 725 bilhões. A China, por sua vez, destina US$ 295 bilhões em cinco anos através de títulos governamentais.

O custo da dívida já superou o orçamento de defesa dos EUA em 2024: US$ 881 bilhões em juros contra US$ 874 bilhões em defesa. Até 2036, os juros podem dobrar o gasto militar. Os autores chamam o dilema de “trilema imperial”: defesa, liderança tecnológica e Estado de bem-estar não cabem no mesmo orçamento.

Protestos contra data centers pipocam nos EUA. Modelos abertos ameaçam o controle chinês sobre a informação. O controle sobre a tecnologia já escapou em incidentes recentes: centenas de agentes autônomos de um modelo da OpenAI atacaram Hugging Face e diversos outros sites.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias