OpenAI bloqueia rede russa de influência que chegou ao nível 5
Campanhas da Rússia e do Irã criaram repórteres falsos e centro de estudos para infiltrar textos na imprensa internacional.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A OpenAI baniu em 8 de outubro de 2026 duas redes da Rússia e do Irã que usavam inteligência artificial e entidades de fachada para emplacar propaganda geopolítica em veículos de imprensa profissionais. A operação russa atingiu a categoria 5 na Breakout Scale, o maior índice de alcance já registrado pela empresa em dois anos e meio de monitoramento. Os grupos criaram sete repórteres fictícios e um centro de estudos na América Latina para furar filtros editoriais e lavar mensagens sobre conflitos internacionais. A manobra alerta redações de notícias do mundo todo.
A célula iraniana articulou sete identidades falsas de jornalistas para sugerir reportagens e artigos de opinião a veículos digitais de pequeno e médio porte. Além das peças longas enviadas aos editores, o grupo gerou lotes de comentários em redes sociais sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã. A ação alcançou a categoria 4. A tática repete o caso de Alice Donovan, persona criada pela inteligência militar russa que emplacou textos no Ocidente entre 2016 e 2017.
Fachada na América Latina enganou terceiros
A frente russa cooptou pessoas na América Latina sem que elas soubessem para gerenciar um centro de estudos no local. Os operadores forjaram roteiros de áudio e documentos falsificados que simulavam vazamentos para espalhar narrativas de interesse do país na internet. O método enganou intermediários de boa-fé. O formato espelha a falsa agência PeaceData, projeto que em 2020 contratou repórteres reais desavisados para mascarar ligações com a Internet Research Agency russa.
Antes de enviar qualquer material para fora, russos e iranianos usaram modelos de linguagem para redigir relatórios internos de acompanhamento de suas próprias ações. A equipe russa gastou a maior parte de seus comandos de inteligência artificial na confecção dessa burocracia corporativa. Os documentos continham números inflados de impacto. Os operadores adotaram metodologias abertamente enganosas para exagerar a própria eficácia diante dos chefes que bancavam as operações.
Mídia tradicional dá escala às campanhas
A análise da OpenAI revelou uma divisão clara entre as 30 operações de influência encobertas que a companhia desmantelou nos últimos 30 meses. Campanhas restritas a redes sociais e contas falsas ficam presas entre as categorias 1 e 3 da Breakout Scale, escala que vai de 1 a 6. Artigos na imprensa geram alcance maior. Por esse motivo, redes que usam entidades de fachada para publicar em portais de notícias reais saltam direto para os níveis 4 e 5.
O comunicado da OpenAI exige cautela porque traz apenas dados colhidos dentro da própria plataforma. A companhia reconheceu que nem todo o material publicado nos veículos veio de seus modelos, o que deixa aberta a participação de ferramentas rivais ou de redação puramente humana. A empresa omitiu os nomes dos jornais afetados. Sem revelar os veículos atingidos nem o think tank latino-americano, o relatório demonstra que a tecnologia serviu para agilizar etapas operacionais, e não para criar um método inédito de espionagem.
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