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Google lança mapa global de florestas com IA, mas esconde 60% dos plantios

O Deepmind e o World Resources Institute (WRI) apresentaram um mapeamento de 2020 com 6 categorias de cobertura terrestre, usando satélites e AlphaEarth. A resolução é de 10 metros, e a precisão…

Edição: Anderson Gomes
· 4 min de leitura

Google lança mapa global de florestas com IA, mas esconde 60% dos plantios
Imagem: Reprodução · The Decoder · licença livre · licença mit

O Deepmind e o World Resources Institute (WRI) apresentaram um mapeamento de 2020 com 6 categorias de cobertura terrestre, usando satélites e AlphaEarth. A resolução é de 10 metros, e a precisão geral é de 90,2%, mas o sistema identifica apenas 50% dos cultivos arbóreos e 60% dos plantios.

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ForTy, o novo sistema, vai além do que os mapas tradicionais oferecem. Antes, imagens de satélite mostravam apenas se havia árvores em uma área, sem distinguir se eram florestas nativas, plantios ou culturas como palma-oléifera ou cacau. Agora, o modelo classifica em seis tipos: florestas primárias, regeneradas, plantadas, plantios, culturas arbóreas e outras terras.

A diferença técnica é crucial: o sistema usa plantas, ciclos de crescimento e colheita para diferenciar florestas e cultivos, não apenas aparência. Por exemplo, um bosque plantado antigo pode parecer natural, mas o algoritmo analisa padrões de plantio e manejo. A resolução de 10 metros garante detalhes, mas o mapeamento de 1 km² mostra apenas a classe mais comum.

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A principal aplicação está ligada à Regulamentação da União Europeia sobre Produtos sem Deforestação (EUDR), que proíbe produtos vinculados à degradação ou corte de florestas após 2020. Empresas precisam saber como a terra foi usada em 2020 para evitar riscos de cadeia de suprimentos. ForTy fornece esse histórico, mas com limites claros.

O mapeamento foi testado em 8.190 locais aleatórios, com 90,2% de acerto, mas os resultados variam por categoria. Florestas primárias foram classificadas com 89% de precisão, enquanto cultivos arbóreos e plantios foram identificados em apenas metade dos casos. A equipe do Deepmind admitiu que satélites não conseguem distinguir manejo de terra — por exemplo, uma plantação pode ser classificada como floresta se ainda estiver em fase inicial.

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A ferramenta ainda não está disponível para uso público. Os dados de treinamento incluem 43 mil exemplos corrigidos por especialistas, mas o sistema não é perfeito. A equipe do WRI ressalta que a precisão cai para 30% em plantios mal definidos, como vinhedos europeus confundidos com culturas arbóreas.

Para quem precisa de dados precisos para compliance, o mapeamento serve como referência, mas não substitui investigações de campo. A resolução de 10 metros é alta, mas o sistema não detecta atividades humanas em tempo real — apenas o estado da terra em 2020.

--- ## O que falta e o que ainda não sai O mapeamento não inclui plantios recentes (menos de 40 anos), pois o algoritmo usa um corte de 40 anos para diferenciar plantios de outras florestas. Além disso, o sistema não classifica áreas de reflorestamento não plantadas, como matas restauradas.

A equipe do Deepmind ainda não anunciou data para liberação dos dados, mas o WRI já está testando o mapeamento com instituições que trabalham com Proteção de Florestas Tropicais e metas de biodiversidade. A precificação não foi divulgada, mas o custo é relativo: o sistema é mais barato do que mapeamentos tradicionais, mas não é gratuito.

--- ## O que isso muda no mercado Antes de ForTy, empresas dependiam de relatórios parciais ou de empresas especializadas para verificar a origem de seus produtos. Agora, a União Europeia e outras iniciativas — como o Fundo Tropical Forever Facility — terão uma ferramenta mais detalhada, mas ainda limitada.

O maior desafio não é a tecnologia, mas a falta de dados históricos completos em regiões tropicais. Em países como Indonésia e Brasil, onde a cobertura florestal é alta, o sistema ainda tem margem de erro. Para quem trabalha com compliance, o mapeamento é um passo, mas não uma solução definitiva.

A IA não resolve tudo: a legislação e a ética ainda são os limites. Se a empresa não quiser arcar com riscos, o mapeamento ajuda a identificar problemas, mas não garante que eles sejam resolvidos.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias