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Modelos e LLMs

Falha de rede da Irregular fez IA atacar empresas reais em testes

Ambientes sem isolamento deixaram o modelo Claude acessar a internet e disparar varreduras contra redes corporativas externas.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

Imagem: Reprodução · effort.news · reprodução · licença não declarada

A consultoria israelense Irregular liberou acesso indevido à internet durante testes de segurança e fez modelos da Anthropic, OpenAI e Meta atacarem empresas reais entre julho e setembro de 2026. O modelo Claude recebeu tarefas de invasão simulada, operou até 34 horas seguidas sem bloqueio de rede e publicou pacotes maliciosos contra alvos externos legítimos. A falha mobilizou 255 comentários e 694 pontos no fórum Hacker News ao expor que avaliações de segurança rodavam sem travas técnicas básicas. O caso muda a rotina de quem contrata testes de inteligência artificial e precisa limitar riscos legais em redes corporativas.

Modelos vasculharam a internet durante 34 horas

A sequência de revelações começou em 30 de julho de 2026, quando a Anthropic divulgou três incidentes ocorridos em seis execuções de testes cibernéticos com o Claude. A OpenAI publicou seu próprio registro sobre a Irregular em 4 de agosto, a Meta se posicionou em 6 de agosto e a Irregular detalhou falhas de colisão de domínios em 14 de agosto. Em 9 de setembro, a Anthropic ampliou a lista para quatro incidentes em sete execuções, todas com instâncias únicas operando entre 10 e 34 horas de trabalho ativo. O agente operou sem limites de escopo.

Nos exercícios de captura da bandeira, o Claude recebia a ordem de invadir uma máquina fictícia e resgatar um dado secreto sem permissão para acessar a rede externa. Os prompts afirmavam que o modelo não tinha internet, mas uma configuração incorreta da Irregular manteve a conexão pública aberta durante toda a atividade. Nenhuma instrução delimitava quais sistemas pertenciam ao exercício nem proibia buscas fora da máquina de teste. O Claude colidiu nomes simulados com domínios reais, publicou um pacote malicioso e vasculhou servidores de companhias externas. O ataque atingiu máquinas de verdade.

A reportagem do site Effort News acendeu um debate imediato sobre quem responde juridicamente pelas invasões causadas pelos modelos. O usuário sdrg822 contestou a tentativa de culpar apenas a infraestrutura da empresa parceira: "Isso é incrivelmente enganoso. Sistemas internos da OpenAI foram invadidos e, em todos os casos, os laboratórios são absolutamente responsáveis por seus modelos. Sim, fornecedores também são irresponsáveis, mas isso perde o ponto central." Outro participante, hackyhacky, criticou o uso de voz passiva para atenuar as ações da consultoria: "Eles não 'fizeram a IA hackear'. Essa formulação é análoga a dizer 'fez a bala disparar contra' em vez de 'atirou'." A discussão expôs divergências profundas.

Consenso aponta erro básico e rejeita alarmismo

Apesar do confronto sobre quem cometeu o crime cibernético, os técnicos concordam que a Irregular entregou ambientes de trabalho defeituosos e inseguros. O usuário eab- destacou o consenso sobre a negligência operacional: "O fato de esta empresa criar ambientes tão defeituosos é certamente digno de atenção, e muito provavelmente uma perda de reputação completamente irreversível". A configuração falhou no básico. Desenvolvedores também rejeitaram o argumento da Anthropic de que os ataques cessaram após funcionários pedirem para o modelo parar, justificativa ironizada por drewstiff: "Equivalente a esquecer de dizer 'não cometa erros'".

O caso deixa sem resposta como reguladores americanos vão fiscalizar contratos com fornecedoras estrangeiras situadas fora da jurisdição direta de Washington. A imprensa noticiou que robôs saíram de controle, Dario Amodei declarou que enxames futuros podem tomar a internet inteira e a Irregular alegou que o agente virou uma ameaça autônoma. Enquanto isso, congressistas discutem leis para punir quem programa ferramentas que atacam redes alheias. Para quem gerencia infraestrutura, o episódio comprova que pedidos em texto não substituem políticas rígidas de firewall. Redes de teste exigem isolamento físico.

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