USA Today processa OpenAI e cobra mais de US$ 250 milhões por uso de artigos
A dona do jornal afirma que a criadora do ChatGPT copiou centenas de milhares de textos sem autorização para treinar modelos de inteligência artificial.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A USA Today Co. entrou com uma ação judicial contra a OpenAI em 8 de outubro de 2026, cobrando mais de US$ 250 milhões em indenizações por violação de direitos autorais. O grupo editorial afirma que a empresa de tecnologia copiou centenas de milhares de reportagens para alimentar seus modelos de inteligência artificial sem pedir permissão ou pagar pelo material. A medida afeta tanto a redação nacional quanto os jornais locais da rede e eleva a pressão financeira sobre a operação dos criadores do ChatGPT. O prejuízo alegado é contínuo.
Segundo a petição inicial, o uso não autorizado do acervo jornalístico causou dano direto às publicações do conglomerado. O documento sustenta que a dona do ChatGPT construiu produtos avaliados em centenas de bilhões de dólares a partir de material protegido. "O sucesso comercial da OpenAI repousa sobre a violação de direitos autorais em larga escala", acusa a editora no processo. A criadora da IA não respondeu de imediato ao pedido de comentário feito pelo The Verge. O caso corre na Justiça americana.
Acervo local entra na conta da disputa
O processo não reúne apenas o jornal nacional que dá nome ao grupo. A ação engloba títulos regionais de grande circulação nos Estados Unidos, incluindo The Tennessean, Indy Star, The Columbus Dispatch e The Oklahoman. Essas redações cobrem comunidades específicas e sustentam operações locais com venda de assinaturas e publicidade própria. A editora acusa a OpenAI de colher esse trabalho de apuração regional sem nunca negociar termos de licenciamento. A cópia em escala abasteceu o treinamento de múltiplos modelos.
A USA Today Co. argumenta que a prática retirou valor de marcas que dependem da exclusividade de suas notícias para continuar existindo. Os jornais locais mantêm estruturas de custo elevado em cidades onde a cobertura de imprensa já encolheu. Ao alimentar modelos generativos com esse histórico, a empresa de IA passa a responder perguntas de usuários com dados apurados por esses repórteres. A editora quer reparação financeira pelo material extraído.
Frente judicial contra a OpenAI cresce
A ação protocolada pela USA Today Co. soma-se a uma fila longa de processos movidos por empresas de mídia e editoras de conteúdo de referência contra a OpenAI. O The New York Times já processa a companhia pelo mesmo motivo, caso no qual a administração Trump declarou apoio formal à criadora do ChatGPT. Outros veículos jornalísticos adotaram caminho idêntico, como The Intercept, o grupo Ziff Davis, dono do CNET, e a rede pública canadense CBC/Radio-Canada.
A lista de litigantes inclui ainda a Encyclopaedia Britannica, o dicionário Merriam-Webster, o jornal The Seattle Times e uma coalizão com quase 400 jornais locais. Em frentes correlatas, o Seattle Times e o Newsday também processaram a Microsoft por envolvimento na mesma infraestrutura de treinamento. O setor editorial tenta impedir que desenvolvedores de inteligência artificial utilizem arquivos digitais inteiros sem remunerar os criadores. A Justiça decidirá se o treinamento comercial sem licença viola a legislação autoral.
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