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Mistral capta 3 bilhões de euros e atinge avaliação de mais de 21 bilhões

Rodada liderada pela Samsung marca o maior aporte financeiro em uma empresa europeia de tecnologia.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

Mistral capta 3 bilhões de euros e atinge avaliação de mais de 21 bilhões
Imagem: Reprodução · Mistral AI · reprodução · licença não declarada

A francesa Mistral AI anunciou nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2026, uma captação de 3 bilhões de euros em rodada Série D, atingindo avaliação pós-investimento superior a 21 bilhões de euros. O aporte é o maior já registrado por uma companhia europeia de tecnologia e ocorre três anos após a fundação da empresa. A operação atende diretamente corporações e governos que buscam adotar inteligência artificial sem transferir dados estratégicos para fornecedores externos de nuvem.

A Samsung Electronics liderou o investimento. O aporte teve copresidência do Scaleup Europe Fund, gerido pela EQT, e participação do investidor anterior PSG Equity. Entraram também na rodada a Advent, contas geridas pela BlackRock e o Grão-Ducado de Luxemburgo. O grupo reúne fundos da Europa, Ásia e América do Norte. O dinheiro vai bancar expansão de infraestrutura e capacidade computacional própria para pesquisa e treinamento de novos modelos de fronteira.

Aposta em modelos com pesos abertos busca frear dependência

A Mistral sustenta que clientes corporativos enfrentam agora um dilema diferente da primeira onda de inteligência artificial generativa. Em vez de disputar apenas quem cria o modelo com maior pontuação bruta, governos e empresas avaliam a dependência tecnológica de longo prazo. A companhia tenta responder a essa cobrança com modelos de pesos abertos. O formato permite rodar sistemas dentro da própria infraestrutura do cliente. Isso evita aprisionamento a tabelas de preços e cronogramas de terceiros.

A empresa define sua arquitetura em quatro pilares: dados restritos à organização, modelos customizáveis, computação privada previsível e sistemas em produção auditáveis. O anúncio afirma que a companhia é a única no mundo a cobrir toda a cadeia necessária para essa entrega. Trata-se, contudo, de uma alegação da própria empresa em material promocional. O documento não detalha prazos de entrega para os novos centros de computação nem limites de acesso para os modelos futuros.

Hoje a Mistral opera em 20 países e atende mais de 125 clientes corporativos com operações críticas. A lista inclui Airbus, ASML e HSBC. A ASML, fabricante holandesa de maquinário para semicondutores, já havia liderado a rodada Série C da Mistral e voltou a investir agora. O apoio conjunto de ASML e Samsung coloca dois pesos-pesados da cadeia global de chips na base societária da empresa.

Investidores de risco e gigantes de chips reforçam caixa

A lista de sócios anteriores que acompanharam o aporte reúne gigantes do setor e firmas tradicionais de capital de risco. A Nvidia e a Salesforce Ventures participaram novamente da rodada. Também colocaram capital a16z, Index Ventures, Lightspeed, General Catalyst, DST Global e Eurazeo. Participaram ainda Bpifrance, BNP Paribas CIB, Belfius, Carmignac, Headline, Hillspire, Korelya Capital e o fundo Solar da Phoenix Court.

O volume financeiro dá fôlego para a Mistral competir com concorrentes dos Estados Unidos em capacidade bruta de computação. A companhia declara que vai acelerar sua expansão comercial internacional. O desafio imediato consiste em provar que modelos de pesos abertos conseguem igualar a capacidade técnica dos concorrentes proprietários fechados mantendo custos de infraestrutura controlados. A empresa agora tem capital suficiente para tentar.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias