Meta pausa compartilhamento do Muse após vazamento de 6.800 conversas
Registros de DNS expuseram links com balanços de empresas, calendários internos e pedidos de empréstimo enviados ao assistente de inteligência artificial.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A Meta suspendeu em 20 de outubro de 2026 a ferramenta do assistente de inteligência artificial Muse que gera páginas web para compartilhar conversas com outras pessoas. A decisão ocorreu depois que analistas da empresa de segurança Claroc descobriram mais de 6.800 links do sistema expostos publicamente em registros de DNS. A falha atinge profissionais e companhias que usavam o recurso para trocar diálogos confidenciais e relatórios de trabalho. O corte desativou o compartilhamento.
Estrutura dos endereços web facilitou reconstrução dos links
O recurso permitia gerar uma página web aberta para qualquer usuário que recebesse o endereço direto de uma conversa realizada com a IA. A Claroc identificou que a equipe da Meta desenhou esses links de uma forma previsível que facilita a localização do conteúdo na rede. A empresa de segurança detalhou a lógica: “O Muse constrói o endereço web de cada compartilhamento a partir do título do compartilhamento, uma frase curta que descreve a conversa, e depois um ID aleatório”. Esse formato revelava o assunto.
A Claroc localizou os links ao inspecionar registros públicos de DNS, sistema que funciona como um catálogo central para direcionar o tráfego da internet. Os pesquisadores relataram a facilidade para reconstruir os caminhos: “O hostname geralmente revelava o que a página continha antes de abrirmos, e como o link carrega esse mesmo título e ID, um hostname extraído do DNS reconstrói o link”. A equipe conseguiu abrir centenas de conversas sem precisar invadir servidores ou quebrar qualquer barreira de proteção. O catálogo expôs os acessos.
As páginas abertas pela varredura continham segredos corporativos estratégicos e informações pessoais sensíveis enviadas ao assistente. O relatório da Claroc cita a revisão de faturamento de uma empresa de marketing, o calendário anual completo de funcionários de uma firma e o pedido de empréstimo do proprietário de um pequeno negócio. Os pesquisadores também encontraram notas preparatórias de um candidato para uma entrevista de trabalho com um laboratório de inteligência artificial. O portal Ars Technica revelou o vazamento.
Resposta da Meta e histórico de exposição em rivais
A porta-voz do Muse, Tracy Clayton, confirmou o bloqueio da ferramenta em declaração enviada por e-mail para a repórter Emma Roth, do The Verge. Clayton explicou que as pessoas conseguem “compartilhar artefatos específicos do Muse, o que cria uma página que pode ser acessada por quem tem o link”. A representante completou a nota oficial: “No entanto, pausamos essa funcionalidade enquanto revisamos este relatório e avaliamos mudanças na forma como esses links podem ser descobertos”. A Meta não fixou prazo de retorno.
O problema registrado com o Muse repete tropeços graves de privacidade ocorridos em ferramentas rivais do mercado de inteligência artificial. Assistentes concorrentes enfrentaram exposições parecidas depois que links gerados por usuários foram parar em páginas públicas abertas na internet. Conversas mantidas com o ChatGPT da OpenAI, o Claude da Anthropic e o Grok da xAI já apareceram indexadas nos resultados de busca do Google. A indústria repete o erro.
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