Google expande equipe de economia de IA com Nobel e ex-McKinsey
Programa ganha dois diretores e conselheiros de peso para medir impacto real no trabalho e na produtividade.
Programa ganha dois diretores e conselheiros de peso para medir impacto real no trabalho e na produtividade.
Google anunciou em 18 de setembro a expansão do seu AI & Economy Research Program com quatro nomes de peso: o Nobel de Economia 2025 Philippe Aghion como conselheiro acadêmico, o professor Ajay Agrawal como fellow visitante, além de Anu Madgavkar (ex-McKinsey Global Institute) e Daniel Rock (Wharton) como diretores. A equipe passa a contar com dois Nobel — Aghion se junta a Michael Spence — e pesquisadores que já assessoram governos e organismos multilaterais. O objetivo declarado é medir em tempo real como a IA generativa está mudando empregos, produtividade e difusão tecnológica no mundo todo. Os dados e publicações ficam disponíveis em ai.google/economy.
O anúncio vem na esteira do lançamento do AI & Economy ATLAS v1.0, site interativo de acesso aberto que rastreia como pessoas usam ferramentas de IA do Google no trabalho e no dia a dia. Até então, o programa funcionava com estrutura mais enxuta, centrada no economista-chefe e em fellows como David Autor, chefe do Departamento de Economia do MIT. A expansão sinaliza mudança de escala: em vez de estudos pontuais, a empresa quer infraestrutura contínua de medição, cruzando dados de adoção com análise econômica rigorosa. O comunicado cita quatro eixos prioritários — futuro do trabalho, produtividade e crescimento, difusão global de tecnologia e impacto da IA na descoberta científica.
Madgavkar passa duas décadas no McKinsey Global Institute liderando pesquisas sobre mercados de trabalho, adoção de tecnologia e transições estruturais; assessorou Fórum Econômico Mundial e Nações Unidas. No Google, comandará pesquisa empírica sobre difusão global de IA, redes de pequenas empresas e efeitos da IA generativa na força de trabalho. Rock, professor em Wharton, é conhecido por medir exposição de ocupações a IA e robótica usando dados de patentes e anúncios de vagas. Agrawal, catedrático em Empreendedorismo e Inovação na Rotman School (Toronto), colaborará com Autor no eixo de economia da IA e descoberta científica. Aghion trará seu modelo de crescimento liderado por inovação e destruição criativa para projetar trajetórias macroeconômicas de longo prazo.
O comunicado é material do próprio Google — assinado por Scott Strand (Head de StratOps e Projetos Especiais, Technology & Society) e Zanna Iscenko (Lead de AI & Economy, Chief Economist's Office). O que está demonstrado: o ATLAS v1.0 existe, é aberto, e os quatro pesquisadores de fato assumiram os cargos. O que é afirmação: a capacidade de "navegar esta transição complexa" em tempo real e a promessa de que insights "moldarão política futura e treinamento de força de trabalho". Não há benchmark independente, nem auditoria da metodologia do ATLAS, nem compromisso de abrir microdados brutos. A independência dos fellows e advisors será testada quando resultados contrariarem interesses do financiador. Microsoft, OpenAI e Anthropic também mantêm equipes de economia do trabalho e publicam relatórios de adoção. A diferença do Google é reunir dois Nobel e ex-alta cúpula de consultoria estratégica num mesmo programa, além de expor um painel interativo público. O dossiê não cita parcerias com institutos de estatística nacionais nem com OIT e OCDE — canais tradicionais de dados de emprego. Isso concentra a definição do que medir e como medir nas mãos de quem desenvolve a tecnologia. Para pesquisadores externos, o valor imediato está no ATLAS como fonte complementar; a credibilidade de longo prazo dependerá de publicações em periódicos revisados por pares e de quão aberto o programa fica a escrutínio independente.