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GitHub migra 99,99999% dos repositórios para Azure em 14 meses

Azure já responde por metade do tráfego global, mas 0,00001% dos repositórios ainda travam em 25ms de latência.

Edição: Anderson Gomes
· 2 min de leitura

GitHub migra 99,99999% dos repositórios para Azure em 14 meses
Imagem: Reprodução · GitHub · reprodução · licença não declarada

GitHub anunciou em 21 de outubro de 2026 que 99,99999% dos repositórios da plataforma já rodam em duplicidade entre seus data centers e Azure. A migração começou em agosto de 2025 com um repositório copiado para a região Central US do Azure. Hoje, metade do tráfego global já passa pela nuvem da Microsoft, enquanto os 0,00001% restantes — os mais movimentados — enfrentam um gargalo de 25ms de round trip que trava escritas. A operação levou 14 meses e exigiu dois princípios de arquitetura: minimizar coordenação e desacoplar armazenamento de computação.

A engenharia da migração

Cada repositório no GitHub tem cinco réplicas para equilibrar durabilidade, disponibilidade e escala. Até agora, o sistema serializava todas as escritas no repositório inteiro: o quorum aguardava resposta de todas as cinco réplicas antes de confirmar uma mudança. Com roteamento preferencial para a região mais próxima, 99,99999% dos repositórios mantinham latência baixa. O problema veio com os repositórios que já tinham cinco cópias espalhadas: a distância de 1.000 milhas entre data centers e Azure adicionava 25ms por round trip. Cada escrita travava o repositório inteiro até todas as réplicas responderem, criando uma fila que só piorava com o crescimento do tráfego.

A solução mudou o escopo do quorum. Em vez de validar escritas por todo o repositório, o GitHub passou a serializar referências individualmente. Agora, escritas para branches diferentes não precisam esperar umas pelas outras. A latência de 25ms continua existindo, mas não trava mais o repositório inteiro. A empresa afirma que isso viabiliza réplicas stateless que não precisam manter estado persistente, reduzindo ainda mais a coordenação necessária.

O que falta resolver

Os 0,00001% de repositórios mais movimentados ainda travam em escritas porque já tinham cinco réplicas distribuídas antes da migração. A latência de 25ms entre data centers e Azure mantém o gargalo: cada escrita exige múltiplos round trips, e o sistema antigo serializava tudo. O anúncio não define prazo para mover esses repositórios, mas confirma que a mudança no quorum já permite que Azure absorva mais tráfego sem interromper o serviço.

Hoje, a maioria dos repositórios já tem duas de suas cinco réplicas no Azure. Azure responde por metade do tráfego global da plataforma, enquanto os data centers próprios mantêm a outra metade. A migração total depende de resolver o gargalo de 25ms nos repositórios mais ativos, mas a infraestrutura atual já suporta a operação contínua da plataforma.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias