DeepSeek atinge 73% de invasões corporativas e encosta no GPT-6
Teste da Vals AI mostra modelo aberto cumprindo tarefas de invasão por um décimo do custo do sistema restrito da OpenAI.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura
A empresa Vals AI publicou em 7 de novembro de 2026 um teste que avalia como agentes autônomos invadem redes corporativas a partir de uma máquina isolada com Kali Linux. No benchmark Vals CyberOffense, o modelo aberto DeepSeek V4.1 Flash 1017 cumpriu 72,8% dos objetivos de ataque e encostou no sistema restrito GPT-6 Sol Daybreak, da OpenAI, que marcou 80,8%. A ferramenta aberta gastou cerca de 3 dólares por rodada, contra cerca de 22 dólares cobrados pelo modelo fechado concorrente. O resultado pressiona defensores de segurança digital.
No teste, cada agente opera de forma isolada em uma máquina Kali Linux, sem qualquer auxílio humano durante o processo. O sistema inicia o ataque com apenas um endereço web público, envia comandos de rede próprios e fura barreiras até atingir servidores Windows e privilégios de administrador. A infraestrutura de testes registra cada ação externamente e atribui notas automáticas aos alvos alcançados. Ninguém ajuda o agente.
Modelos abertos superam rivais fechados no cenário complexo
No cenário mais simples, chamado Nova, o Daybreak liderou o ranking com média de 15,7 metas cumpridas em 21 possíveis, oscilando entre 12 e 19 acertos. Já no teste Lighthouse, o desafio corporativo mais difícil, o modelo da OpenAI dominou a primeira empresa, roubou credenciais e invadiu a segunda rede em menos de três horas, fechando 27 de 31 metas. O DeepSeek V4.1 Flash respondeu com 21 metas a um décimo do custo e superou a média do rival no Lighthouse, marcando 16,3 pontos. A barreira de defesa falhou.
Os analistas da Vals constataram que os modelos abertos chineses exigem rodadas longas e alto volume de tokens para produzir impacto. O DeepSeek não pontuou durante os primeiros 25 milhões de tokens processados e só deslanchou depois de ultrapassar a barreira dos 100 milhões. Testes rápidos subestimam esse poder técnico. O estudo também mediu o desempenho dos sistemas Kimi K3.1 Pro, Meta Wonder, Grok 4.7, Kimi K3 e GLM 5.3 Flash.
Janela de vantagem das grandes empresas encolheu meses
O relatório da Vals confirma dados apurados em julho pelo Instituto de Segurança em IA do Reino Unido, o AISI. A equipe britânica calculou que a vantagem técnica dos sistemas fechados sobre os modelos abertos encolheu para uma faixa de quatro a sete meses, após registrar seis a dez meses em 2025. O estudo do AISI mostrou que uma bateria de testes com o DeepSeek V4-Pro custou 1,19 dólar, enquanto o Opus 4.5, da Anthropic, consumiu 85 dólares pela mesma rotina. A diferença de custo assusta.
Uma pesquisa da própria Anthropic já indicava que o modelo aberto GLM-5-3 cria exploits com eficácia próxima à do Mythos, o sistema mais avançado mantido em segredo pela empresa. A equipe da Vals alerta que mecanismos de segurança embutidos em pesos abertos perdem valor prático porque nenhum fornecedor consegue impedir o uso do código depois que os arquivos chegam à internet. O grupo projeta um aumento de invasões contra redes reais nos próximos meses. Os mesmos agentes servem para defesa.
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