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DeepMind usa IA para recriar memória de casal casado há 70 anos

O documentário Love, Rendered uniu restauração de fotos e captura de movimento para encenar um momento sem registros visuais.

Edição: Anderson Gomes
· 2 min de leitura

DeepMind usa IA para recriar memória de casal casado há 70 anos
Imagem: Reprodução · gemini.google.com · reprodução · licença não declarada

A Google DeepMind anunciou em 9 de setembro de 2026 o curta documental Love, Rendered, produzido em parceria com a Primordial Soup para reconstituir o primeiro encontro de um casal sem registros visuais. Burt e Ethelle Shatz estão casados há mais de sete décadas e enfrentam o declínio cognitivo de Burt. A equipe combinou restauração de fotografias e modelos de vídeo para animar os dois na juventude. O projeto explora a recuperação de lembranças.

A cineasta Liz Garbus dirigiu a produção ao lado dos produtores Dan Cogan e Darren Aronofsky, fundador da Primordial Soup. O ponto de partida foi o dia em que o casal se conheceu em uma cooperativa estudantil em Cleveland. A data nunca teve fotos ou gravações. Por isso, a memória existia apenas na mente dos dois.

Modelos visuais animaram fotos antigas com gestos atuais

O engenheiro Michael Chang liderou a parte técnica da DeepMind no filme. Chang perdeu o avô após um derrame com perda de memória e usou fotos do próprio acervo familiar para testar a ferramenta antes de assumir o documentário. No projeto com os Shatz, a equipe restaurou fotos antigas em preto e branco com modelos generativos. Depois, capturou os trejeitos atuais do casal e mapeou esses movimentos sobre as figuras jovens.

Ethelle acompanhou os engenheiros durante a geração das cenas e apontou correções pontuais em elementos físicos. Ela ajustou a curvatura de uma escada e o formato do salto de um sapato. A direção baseou o trabalho na terapia de reminiscência, método clínico que usa músicas e fotos para estimular conexões afetivas. Liz observou reações cerebrais parecidas ao dirigir o documentário Coma. Aronofsky viu efeito similar em uma bailarina com Alzheimer que dançou O Lago dos Cisnes na cadeira de rodas.

Usuário comum recebe apenas restauração no aplicativo

O anúncio oficial da empresa promove o filme como exemplo do uso de inteligência artificial na preservação da memória humana. O projeto completo, porém, dependeu de direção artística exclusiva e de intervenção manual da própria retratada. A empresa não liberou o sistema de animação por gestos para o público geral. Essa tecnologia continua restrita aos estúdios do filme.

Quem quiser testar a tecnologia encontra no aplicativo Gemini apenas as funções de restaurar e colorir fotos de família. O próprio comunicado da empresa traz avisos de que a tecnologia generativa é experimental. A reconstituição de memórias completas em vídeo continua como demonstração institucional da DeepMind, e não como produto pronto. Trata-se de uma vitrine tecnológica controlada.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias