Casa Branca recua e libera modelos de ponta para agência britânica
Governo americano restabelece envio prévio de sistemas de OpenAI, Google DeepMind e Anthropic ao órgão que testa segurança antes de lançamentos.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A Casa Branca restabeleceu em 12 de outubro de 2026 o acesso antecipado do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido aos modelos desenvolvidos por Anthropic, Google DeepMind e OpenAI. A decisão reativa o protocolo que permite aos técnicos britânicos testar riscos e falhas de segurança nos sistemas de inteligência artificial antes do envio comercial desses produtos ao mercado global. O governo do presidente Donald Trump havia cortado o compartilhamento dessas tecnologias em setembro por meio de uma ordem direta emitida às companhias americanas. A liberação devolve o acesso ao órgão.
Veto em setembro travou acesso ao Claude Mythos 5.1
A agência britânica, conhecida pela sigla AISI, realiza auditorias técnicas em modelos de fronteira para identificar vulnerabilidades graves antes da distribuição das ferramentas para empresas e consumidores. Quando a Casa Branca impôs o bloqueio em setembro, as empresas sediadas nos Estados Unidos suspenderam imediatamente a entrega de versões preliminares de seus sistemas ao instituto. A Anthropic cumpriu a ordem governamental e bloqueou os testes britânicos em seu novo modelo de linguagem, batizado de Claude Mythos 5.1. O corte congelou auditorias em andamento.
O fim da restrição só aconteceu depois de uma ofensiva diplomática conduzida diretamente pelo ministro de inteligência artificial do Reino Unido, Kanishka Narayan, junto às autoridades americanas. A articulação destrava a colaboração técnica justamente no momento em que Narayan prepara o anúncio público de novas medidas de segurança para o setor de inteligência artificial. O plano britânico inclui exigências de relatórios mais rígidos para incidentes de segurança cibernética e falhas de inteligência artificial que ameacem infraestruturas críticas nacionais. Narayan apresentará as regras em breve.
Embate na ONU expôs divergência com Donald Trump
A disputa sobre o envio de modelos expôs uma divisão profunda que já havia aparecido durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Naquele encontro multilateral, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, defendeu a criação de regulações internacionais vinculantes para supervisionar o avanço dos sistemas de inteligência artificial. Donald Trump discursou no mesmo evento para rebater a tese britânica e advertiu que organizações "globalistas" não deveriam interferir no desenvolvimento tecnológico conduzido pelas companhias norte-americanas. A divergência atrasou a cooperação mútua.
A decisão da Casa Branca de suspender o bloqueio coincide com avisos graves emitidos pelos órgãos que comandam a espionagem e a segurança britânicas. Os diretores do MI6, do MI5 e da agência de inteligência cibernética GCHQ alertaram ministros do Reino Unido de que sistemas de ponta vinham capacitando agentes hostis e organizações terroristas. A avaliação da inteligência reforçou a necessidade de examinar o código desses modelos antes do lançamento para prevenir o uso criminoso das ferramentas. O risco justificou a insistência britânica.
O jornal britânico The Daily Telegraph apurou a reversão da política americana, detalhada pelo repórter Manuel Uth na publicação especializada The Decoder. A retomada do acesso devolve ao AISI a capacidade de avaliar sistemas de Anthropic, Google DeepMind e OpenAI, mas comprova que acordos regulatórios dependem da vontade política em Washington. Enquanto as empresas americanas concentram a tecnologia, os órgãos estrangeiros de checagem operam sob a ameaça contínua de novos bloqueios governamentais. O pacto segue vulnerável à diplomacia.
- The Decoder
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