Pular para o conteúdo
NovidadesIA

Modelos e LLMs

Anthropic usa Claude para criar 17 proteínas contra veneno de escorpião

Laboratórios externos confirmaram a ligação de 17 moléculas entre 211 testadas, mas empresa admite que ainda não provou a neutralização da peçonha.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

Anthropic usa Claude para criar 17 proteínas contra veneno de escorpião
Imagem: Reprodução · Anthropic · reprodução · licença não declarada

A Anthropic anunciou em 20 de outubro de 2026 que um modelo interno do Claude desenhou 17 minibinders — pequenas proteínas que se fixam com firmeza a alvos biológicos — contra neurotoxinas de escorpião. A inteligência artificial filtrou essas opções a partir de 318.484 estruturas teóricas, e laboratórios externos comprovaram a ligação química de 17 moléculas entre 211 sintetizadas. O projeto busca acelerar novos tratamentos contra picadas que atingem 1,2 milhão de pessoas por ano, a maioria crianças sem acesso adequado à medicina. O experimento não produziu um antídoto pronto.

O envenenamento por escorpião é considerado uma doença tropical negligenciada porque novos tratamentos são caros e dificilmente recuperam o custo financeiro do desenvolvimento comercial. As toxinas atacam os canais de sódio presentes nas membranas dos neurônios, desregulando os impulsos nervosos e liberando tempestades perigosas de substâncias como a adrenalina. Em quadros graves, essa desordem desencadeia falência cardíaca e acúmulo excessivo de líquido nos pulmões, provocando mais de 3.250 mortes anuais. As vítimas mais vulneráveis são crianças.

Modelo operou sozinho durante 64 horas

A iniciativa começou após a empresa de pesquisa de investimentos Citrini Research questionar a Anthropic sobre a capacidade de leigos motivados resolverem problemas reais de saúde com inteligência artificial. A equipe de ciências biológicas da desenvolvedora fez sessões de ideação com o Claude e decidiu mirar nos escorpiões para superar a fabricação tradicional de soros, que exige extrair veneno de milhares de animais e imunizar cavalos durante meses. Os cientistas adaptaram o comando utilizado em um estudo de agosto sobre proteínas e acompanharam a execução do sistema por 64 horas contínuas. Claude redigiu até o relatório final.

Ao longo dessas 64 horas sob supervisão humana, o modelo interno operou com apenas quatro direcionamentos complementares, analisou dados brutos, desenhou gráficos e gerou 318.484 formatos teóricos de proteínas. O próprio sistema indicou 180 candidatos para bancada, e os pesquisadores incluíram outras 31 moléculas desenvolvidas com auxílio do assistente. Duas organizações terceirizadas de pesquisa em biologia, a Adaptyv Bio e a Twist Bioscience, fabricaram e testaram os 211 desenhos contra toxinas reais em laboratório. Dezessete compostos cumpriram os critérios de fixação.

Fixação molecular não elimina a toxina no organismo

As 17 moléculas aprovadas se fixam a alvos específicos de cinco neurotoxinas perigosas presentes em quatro espécies de escorpião. A Anthropic ressalta que o teste laboratorial comprovou a ancoragem física das proteínas, mas não avaliou se as estruturas neutralizam o veneno em ambiente celular. A empresa não produziu um remédio funcional. Todos os 211 desenhos gerados e os dados dos ensaios foram liberados publicamente em um relatório técnico.

Dois especialistas externos avaliaram os resultados e classificaram o avanço como um primeiro passo promissor na área médica. A pesquisadora Susana Vázquez Torres, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas da Espanha, destacou que projetar ligantes firmes com rapidez deixou de ser o gargalo da biologia computacional. "O desafio é usar essas ferramentas extraordinárias para desenvolver moléculas que possam se tornar medicamentos reais, seguros, acessíveis e de amplo alcance", afirmou a pesquisadora. O pesquisador Timothy P. Jenkins apoiou a avaliação.

  • Anthropic
  • Modelos e LLMs

Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias