Pular para o conteúdo
NovidadesIA

Modelos e LLMs

Anthropic usa 950 agentes do Claude e descobre novo sistema de enzimas

Grupo montou laboratório próprio e gastou 210 milhões de tokens em 21 horas para localizar estrutura genética parecida com o CRISPR em vírus fagos.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

Anthropic usa 950 agentes do Claude e descobre novo sistema de enzimas
Imagem: Reprodução · Anthropic · licença livre · licença MIT

A Anthropic anunciou em 23 de setembro de 2026 que montou um laboratório próprio de biologia e descobriu um novo sistema enzimático com o modelo Claude. Cerca de 950 agentes de inteligência artificial vasculharam bancos de dados genéticos por 21 horas e consumiram 210 milhões de tokens até isolar o arranjo em vírus que infectam bactérias. A estrutura lembra a arquitetura molecular do CRISPR e interessa a pesquisadores dedicados a criar ferramentas para cortar, copiar e colar sequências de DNA. O grupo publicou os dados preliminares em um pre-print.

Agentes rastrearam genes em vírus de bactérias

A equipe batizou a descoberta de transcriptases reversas associadas a arranjos, chamada pela sigla ART. O maquinário opera a partir de uma transcriptase reversa de fago gigante, enzima encarregada de copiar fita de RNA para DNA em vírus bacterianos. Estudos anteriores já haviam mapeado essa enzima. O Claude foi o primeiro a notar as marcas definidoras do conjunto: um arranjo de sequências repetidas de DNA não codificante ao lado do gene e uma proteína acessória de função ainda desconhecida.

Os cientistas humanos limitaram a intervenção ao comando inicial fornecido ao software e à execução dos testes físicos na bancada do laboratório. O prompt orientou os agentes a buscar famílias proteicas não caracterizadas e exemplos inéditos de transcriptases reversas em uma base maciça de DNA. Os 950 agentes investigaram grupos moleculares distintos e usaram julgamento próprio para escolher candidatos sem supervisão humana contínua. Um agente achou a anomalia no DNA.

Função biológica do sistema continua desconhecida

Apesar da semelhança estrutural com o CRISPR, a Anthropic admite no artigo técnico que ainda não decifrou o papel biológico primário do sistema ART. A empresa destaca que essas características moleculares só aparecem reunidas em um punhado de sistemas na natureza, todos programáveis para cortar, copiar ou colar DNA. O comunicado oficial divulga o achado como demonstração do Claude, mas o valor real depende de comprovar a atividade bioquímica na bancada. Os testes em laboratório continuam.

O biólogo molecular Feng Zhang, pioneiro do CRISPR e professor no MIT e no Broad Institute, avaliou os dados da pré-publicação. "Este é um exemplo estimulante de como agentes de IA podem contribuir para a descoberta biológica", declarou Zhang. "A identificação de arranjos de repetições de RNA associados a transcriptases reversas é genuinamente intrigante e merece investigação adicional", concluiu o cientista, ao incentivar outros pesquisadores a adotar ferramentas inteligentes. O laboratório nasceu na primavera de 2026.

A iniciativa integra uma equipe que programa a IA, gera hipóteses em escala e conduz experimentos físicos para verificar as predições. Os cientistas do grupo construíram carreira investigando a regulação do CRISPR e desenhando proteínas ligantes contra neurotoxinas de escorpião. A estratégia tenta reproduzir o impacto histórico de enzimas de restrição bacterianas e da Taq polimerase de fontes termais de Yellowstone, que originaram a biotecnologia e os testes de diagnóstico por PCR ao permitir cortar e copiar material genético. O sistema ART ainda precisa provar utilidade.

  • Anthropic
  • Modelos e LLMs

Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias