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Anthropic troca Git por sistema próprio após 30 mil merges ao dia

Com robôs gerando código em escala, a empresa migrou para o Scion em cinco meses para driblar gargalos de 600 petabytes diários.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

Anthropic troca Git por sistema próprio após 30 mil merges ao dia
Imagem: Reprodução · Anthropic · reprodução · licença não declarada

A Anthropic anunciou em 13 de outubro de 2026 que trocou o Git por um sistema interno de controle de versão batizado de Scion. A migração levou cinco meses e atendeu a uma explosão no volume de trabalho: a média diária de mudanças integradas passou de 2.500 em maio para mais de 30 mil em setembro. O novo sistema atende diretamente aos agentes do modelo Claude, que agora programam em ritmo inacessível a humanos. O Git virou o gargalo.

O modelo descentralizado não suportou a carga

O repositório principal acumulou quase 100 GB apenas no histórico do branch central, enquanto a cópia de trabalho comprimida supera 25 GB. As rotinas de checagem contínua realizam cerca de 25 milhões de checkouts por dia, sem contar os ambientes de teste, as máquinas de pesquisa e as caixas de areia dos agentes. Se a infraestrutura baixasse o projeto inteiro a cada ciclo, a rede interna consumiria mais de 600 petabytes por dia. A conta não fechava.

Para segurar o crescimento antes de abandonar o Git, a equipe operava centenas de servidores espelho internos e recorreu a recursos como sparse checkouts, shallow clones, promisor remotes e cópias congeladas em armazenamento de objetos. Esses paliativos perderam sustentação quando a frequência de integração disparou entre maio e setembro de 2026. As cópias congeladas envelheciam rápido demais em relação à ponta do branch principal, o que quebrava comandos que dependem de histórico como diff e blame. O arranjo quebrou.

Servidores assumem o trabalho pesado dos agentes

O Scion adota dois princípios centrais: clientes sempre conectados à rede e assimetria entre cliente e servidor. No Git tradicional, cada máquina funciona como um servidor independente e baixa o histórico completo para operar sem internet. Na arquitetura nova, o servidor central processa consultas complexas e envia apenas os trechos que o robô precisa ler naquele instante. O cliente não precisa espelhar tudo.

A Anthropic não criou o desenho do zero e admitiu que aproveitou lições do Piper, mantido pela Google, e do Sapling, desenvolvido pela Meta. Nos mesmos cinco meses de transição, a companhia também colocou no ar a interface de revisão de código Antique, um sistema de busca textual e ferramentas de controle de acesso. A empresa montou ainda novas formas de gerenciar e integrar grandes volumes de código após a aprovação dos revisores. O trabalho correu em ritmo recorde.

O texto publicado pela Anthropic descreve uma experiência restrita à infraestrutura interna da empresa, sem qualquer previsão de abertura de código ou lançamento comercial. A empresa sustenta que o próprio Claude escreveu boa parte do Scion, servindo ao mesmo tempo como causa da sobrecarga e instrumento para superá-la. A direção reconhece que poucos desenvolvedores vivem esse aperto hoje, mas prevê que outros times enfrentarão a mesma barreira quando adotarem agentes com mais intensidade. Ninguém de fora pode testar o sistema.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias