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Anthropic reserva 5% de ações para novo fundo de benefício público

Iniciativa eleva a 20% a fatia de ações da empresa voltada ao interesse coletivo e proíbe gastos com lobby político nos Estados Unidos e no exterior.

Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

Anthropic reserva 5% de ações para novo fundo de benefício público
Imagem: Reprodução · Anthropic · reprodução · licença não declarada

A Anthropic criou em 18 de outubro de 2026 o Anthropic Public Benefit Fund, um fundo financeiro que converte ações da própria empresa em recursos para projetos sociais e repasses diretos. A dona do Claude separou 5% de seu capital para a nova entidade e promete transferir mais 2% a cada salto de 50% no valor de mercado do negócio. A medida depende do aval dos acionistas. Somada a compromissos anteriores de fundadores e funcionários, a carteira reserva cerca de 20% das ações ao interesse público para socorrer trabalhadores atingidos pela inteligência artificial.

Formato de sociedade limitada substitui modelo sem fins lucrativos

A empresa registrou a nova entidade como uma sociedade de responsabilidade limitada sob controle integral, a chamada LLC, em vez de adotar o formato 501(c)(3) comum a organizações sem fins lucrativos nos Estados Unidos. Essa estrutura jurídica garante liberdade administrativa para alternar entre diferentes formatos de doação financeira conforme as exigências de cada iniciativa. O regulamento barra pressões políticas. Nenhuma fatia de capital detida pela subsidiária poderá financiar lobistas ou campanhas eleitorais, tanto em território norte-americano quanto em outros países.

O fundo pretende distribuir dinheiro diretamente para grupos populacionais específicos e repassar grandes volumes a entidades assistenciais tradicionais. A Anthropic aponta as turbulências no mercado de trabalho provocadas pela automação como a prioridade imediata dessa carteira. O avanço veloz gera instabilidade profissional. A companhia já havia reservado 200 milhões de dólares para pesquisar e enfrentar essa crise, mas argumenta agora que o ritmo dos sistemas exige medidas muito mais agressivas.

Por operar como corporação de benefício público, a Anthropic mantém as pesquisas centrais de sua missão dentro da própria operação comercial. Esse trabalho interno inclui testes de segurança, explicabilidade de modelos, estudos biomédicos aplicados e descontos no acesso ao Claude para cientistas e instituições civis. Esses serviços dão lucro real. A desenvolvedora mantém essas atividades na empresa mãe porque elas geram retorno comercial ao mesmo tempo em que cumprem as metas públicas assumidas perante a sociedade.

Repasses atrelados ao mercado barram bônus para a diretoria

A regra prevê aportes adicionais de 2% em ações a critério do conselho sempre que o valor da companhia crescer 50% acima de uma linha de base predeterminada. A Anthropic afirma que direciona essas fatias de patrimônio ao bem comum para contrapor a prática tradicional de conceder bônus milionários a executivos do setor de tecnologia. A promessa ainda carece de transparência. A liderança não divulgou os valores da linha de base nem os marcos financeiros da avaliação e adiou essas definições para um relatório que deve sair nos próximos meses.

O anúncio amplia compromissos que surgiram na criação da empresa, quando os fundadores prometeram doar 80% do patrimônio individual que mantêm no negócio. A desenvolvedora também opera um programa de contrapartida interna que dobra as ações que os próprios empregados decidem doar. Metade do quadro aderiu ao plano. O conjunto desses acordos soma cerca de 20% do capital voltado ao benefício público, mas a efetivação das novas cotas depende dos acionistas e do cumprimento de metas futuras.

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Fonte: Comunicado oficial · Como produzimos as matérias