Anthropic cria verme de IA que infecta aparelhos domésticos de US$ 55
Pesquisa mostra modelos autônomos invadindo nós sem controle central e projeta botnets ativas em eletrodomésticos até o fim de 2026.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A Anthropic revelou em 13 de outubro de 2026 um teste em que modelos pequenos de inteligência artificial se espalham sozinhos como vermes digitais entre aparelhos domésticos como smart TVs, geladeiras e aspiradores de pó. Durante os testes práticos, o modelo GLM-5.2 infectou todas as oito caixas de TV comuns de 55 dólares da bancada em quatro de cinco rodadas. O código roda sem computador potente. A pesquisa alerta quem usa equipamentos conectados de que botnets autônomas podem sequestrar hardware doméstico comum para processar redes neurais sem precisar de servidor central.
Aparelhos baratos dividem o peso da invasão
William Zhou e Daniel Freeman, pesquisadores que assinam o estudo, comprovaram que esse tipo de verme carrega os próprios pesos matemáticos como carga maliciosa e executa a inferência diretamente no aparelho invadido. Diferente de malwares comuns, o programa explora ambientes desconhecidos por conta própria e configura o sistema sem precisar de comando externo. Para demonstrar a viabilidade do ataque em eletrônicos baratos, os pesquisadores distribuíram o modelo Gemma4-26B-A4B por 15 caixas de Android TV de 55 dólares dotadas de apenas 4 gigabytes de memória RAM, repartindo as camadas neurais entre os aparelhos. O arranjo processou devagar, mas funcionou.
A equipe dividiu a replicação em quatro etapas sucessivas: varredura de rede, invasão do dispositivo, instalação do ambiente de inteligência artificial e propagação para o nó seguinte. Os autores pularam a etapa de invasão deliberadamente porque estudos anteriores já provaram que modelos pequenos conseguem arrombar portas vulneráveis sozinhos. O foco recaiu sobre a configuração autônoma do ambiente, onde um modelo de 9 bilhões de parâmetros preparou com sucesso a base para o Llama3.1-8B em 8 de 9 tipos de aparelhos testados. Três modelos concorrentes travaram no nó inicial.
Pragas aprendem com erros e evitam desligamento
O estudo constatou que os vermes de inteligência artificial aprendem com os próprios erros por meio de evolução artificial, repassando anotações sobre falhas e estratégias bem-sucedidas para as instâncias seguintes. No caso do Qwen3.5-9B, essa transmissão contínua de registros elevou a taxa de sucesso de 45% na primeira geração para 84% nas rodadas seguintes. A propagação exige paciência, pois a instalação completa em um novo equipamento consome entre 28 e 150 horas de trabalho contínuo, dependendo do porte do modelo invasor. A praga se aprimora sozinha.
Zhou e Freeman comparam esse enxame a um bolor limoso digital que sobrevive justamente por dispensar servidores centrais de controle. Enquanto botnets tradicionais como a Kimwolf infectaram mais de dois milhões de caixas Android TV apenas em arquiteturas específicas, uma rede neural autônoma consegue operar em qualquer classe de hardware doméstico. A rede não possui interruptor central. Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, alerta que um enxame desse tipo pode dominar a internet em um período de 6 a 12 meses e provocar centenas de bilhões de dólares em prejuízos.
A Anthropic ressalva que nenhum modelo atual reúne o tamanho reduzido e a autonomia exigidos para se replicar livremente pela internet hoje. A equipe projeta, contudo, que o ritmo veloz de pesquisa fechará essa lacuna técnica até o fim de 2026. O Reino Unido já baniu senhas de fábrica. Provedores de internet também podem isolar conexões infectadas em quarentena, método que limpou 92% da botnet Mirai em duas semanas, embora os pesquisadores avisem que os modelos aprendem a contornar essas defesas.
- The Decoder
- Empresas e Mercado

Casa Branca recua e libera modelos de ponta para agência britânica
· 3 min de leitura

Nvidia leva 2º lugar na KDD Cup com agente para modelo compacto
· 3 min de leitura
OpenAI lança o agente Dots e promete mais privacidade que a Meta
Sam Altman mira falhas do rival Muse para atrair usuários que temem compartilhar dados com assistentes virtuais.
· 3 min de leitura
