AlphaProof Nexus da DeepMind resolve problemas de Erdős e passa por revisão por pares
Estudo publicado na Science detalha sistema que solucionou desafios matemáticos abertos há 56 anos usando o modelo Gemini 3.1 Pro com a linguagem Lean.
Edição: Anderson Gomes
· 3 min de leitura

A Google DeepMind publicou em 12 de outubro de 2026 um estudo na revista Science demonstrando que seu sistema AlphaProof Nexus resolveu dezenas de problemas matemáticos em aberto sem intervenção humana direta. A ferramenta solucionou nove de 353 problemas propostos pelo matemático Paul Erdős, incluindo dois enigmas que desafiavam pesquisadores há 56 anos. O avanço atinge matemáticos profissionais e cientistas da computação ao provar que sistemas autônomos conseguem validar raciocínios formais rigorosos. O resultado teve revisão prévia por pares.
O sistema opera com o modelo Gemini 3.1 Pro no centro de sua arquitetura. O modelo rascunha e revisa argumentos formais escritos na linguagem Lean. O Lean funciona como verificador interativo: examina cada rascunho após qualquer edição e emite mensagens de erro que direcionam a tentativa seguinte do modelo. O ciclo de correção roda de forma contínua. Quando enfrenta subproblemas mais complexos, o sistema aciona o AlphaProof, uma ferramenta complementar especializada em provas matemáticas.
Lean valida os rascunhos e dispensa ferramenta extra em desafios históricos
A própria DeepMind informou que o sistema resolveu os nove problemas de Erdős sem precisar acionar o AlphaProof. Essa autonomia coloca o peso da dedução matemática nas iterações entre o Gemini 3.1 Pro e o checador Lean. Além dos nove problemas de Erdős, o AlphaProof Nexus provou 44 conjecturas da base de dados de sequências inteiras OEIS. O sistema também resolveu uma questão em aberto na área de geometria algébrica. Os pesquisadores haviam compartilhado as soluções dos problemas de Erdős na internet antes de publicar o artigo científico.
O modelo avançou também em problemas aplicados à própria computação. Ele melhorou um limite conhecido no campo da otimização min-max, técnica matemática usada no treinamento de modelos de inteligência artificial. O cálculo refina parâmetros teóricos de treino. Manuel Uth relatou no The Decoder que o trabalho se apoiou integralmente na verificação por compilador formal. Essa checagem impede que alucinações comuns a modelos de linguagem entrem na versão final do texto matemático.
Publicação na Science responde a boicote contra despejo de dados no GitHub
A divulgação do trabalho chega no momento em que matemáticos contestam métodos de concorrentes da DeepMind. A OpenAI enfrentou reação negativa recente após despejar centenas de provas geradas por inteligência artificial diretamente no GitHub, sem submetê-las a periódicos acadêmicos. O despejo sem crivo editorial gerou revolta entre especialistas que trabalham checando teoremas manualmente. A Association for Human Mathematics, liderada por Terence Tao, convocou um boicote contra a conduta da OpenAI. A iniciativa de Tao cobra responsabilidade científica das empresas de inteligência artificial.
A Google DeepMind optou por submeter o AlphaProof Nexus à revista Science antes de anunciar os resultados como consolidados. Essa validação externa diferencia o comunicado da DeepMind de relatórios técnicos internos que empresas do setor costumam postar em blogs corporativos. Mesmo com o aval dos revisores da Science, a empresa não detalhou no estudo o consumo de energia ou o tempo total de processamento exigido para cada prova ser concluída. A liberação pública de código ou de acesso direto ao sistema também não consta no anúncio oficial.
- The Decoder
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